24/08/11

«É MAIS DIFÍCIL AJUDAR OS NOSSOS FILHOS A CRESCER, DO QUE TRATÁ-LOS SEMPRE COMO BEBÉS!»

Aos pais...
Alguma vez pensaram que «é mais difícil ajudar os nossos filhos a crescer, do que continuar a tratá-los como bebés»?! Alguém, que muito prezo, comentou isto mesmo há bem pouco tempo e, sem o saber, deixou-me a pensar.
É bem verdade! As crianças, quando nascem, não trazem livro de instruções. Sabemos que temos que lhes suprir as necessidades básicas: vestuário, alimentação, higiene, repouso e afectividade. Trabalhoso, mas fácil, nada de extraordinário...
Mas o que é preocupante é aquilo com que deparamos hoje em dia, com alguma frequência; uma superprotecção por parte dos pais em relação aos filhos cada vez até mais tarde. Como é típico, os pais não vêem (ou não querem ver) que os filhos estão a crescer e continuam a fazer muitas coisas que eles já têm idade para fazerem sozinhos, mas quando isso cai no exagero...
Frequentemente nos restaurantes vemos pais a cortar a carne, ou a arranjar o peixe aos filhos, embora estes já tenham tamanho e idade suficiente para o fazer. Sabemos também que, por hábito ou por pressa, muitos pais lhes apertam os atacadores dos sapatos, sem que tenham sequer tentado ensinar-lhes como se faz. Temos conhecimento de filhos que dormem com os pais até à pré-adolescência, bem como adolescentes que ainda não se sabem vestir e despir sozinhos.
Há pais que tentam prolongar a infância cada vez até mais tarde mas depois lamentam que os filhos sejam demasiado infantis. Não podem exigir comportamentos mais maduros, por um lado, quando promovem a sua infantilidade, por outro. As crianças têm naturalmente um instinto de autonomia que pode ser contrariado inconscientemente pelos próprios pais, que crêem estar a fazer o melhor por eles, é certo, mas que prolongam a sua dependência. Eles querem ser super-pais ou super-mães, ou estender a infância do filho por receio de que o seu crescimento implique uma autonomia e um afastamento que gera angústia neles próprios. Para colmatar solidões e vazios dos pais gerados por casamentos insatisfatórios ou vidas profissionais frustradas, os próprios pais ficam dependentes da dependência dos seus filhos em relação a eles e alimentam-na, justificando para si próprios as atitudes que travam o crescimento natural e saudável dos filhos com ideias de serem “pais-galinhas” que apoiam em tudo o que podem. Mas essas atitudes não são benéficas para os filhos. Mais tarde ou mais cedo, esses filhos começam a evidenciar sintomas de algo que está mal e os pais não compreendem já que “fizeram tudo por eles”.
Se não forem estimulados pelos pais, as crianças têm tendência a não crescer de uma forma harmoniosa nas várias áreas, até porque se não aprenderem (porque não lhes é ensinado e fomentado) a fazer as suas coisas sozinhos obviamente que não estão aptos a fazê-lo. Já documentos muito antigos dizem que «não devemos dar o peixe, mas sim ensiná-los a pescar», dando-lhes ferramentas para que possam ser independentes no seu quotidiano. Por exemplo, é embaraçoso para a criança almoçar com os colegas e não ser suficientemente independente para o fazer sem a presença dos pais. Poderá até ter tendência para evitar fazê-lo por insegurança, inventando desculpas. Essa super-protecção leva a que a criança/adolescente crie a ideia de que não consegue fazer algumas coisas sozinho, o que irá afectar a sua auto-confiança e auto-estima no geral.
Como mãe e professora alerto-vos para o seguinte:
- A educação começa em casa;
- A escola não pode nunca substituir a família;
- É no 5º e no 6º ano de escolaridade, quando se começa a fazer mais apelo à autonomia das crianças, que surgem os entraves, que se evidenciam as tais "infantilidades", em crianças que os pais insistem em tratar como bebés e a quem ainda não "ensinaram a pescar".
Deixem os vossos filhos crescer, mas ajudem-nos a fazê-lo, para que sejam mais confiantes, mais felizes e mais promissores de um futuro que é o deles!

(Adaptado de um artigo de Sónia Parente – Psicóloga Clínica e Mestre em Psicologia Educacional)

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